domingo, 9 de novembro de 2008

OCTÁVIO IGNÁCIO

Octávio Ignácio nasceu em 1916 em Minas Gerais. Sua primeira internação ocorreu em 1950. Seguiram-se onze reinternações. Passou, então, a freqüentar o ateliê de pintura do Museu de Imagens do Inconsciente em regime de externato, a partir de 1966. Depois que começou com atividades de desenho e pintura houve uma única internação. Morreu em 1980.

A questão sexual sempre se mostrou problemática para Octávio, vivenciada de forma muito penosa por ele. Em vários desenhos é possível notar figuras onde traços masculinos e femininos se misturam.
A série dos cavalos alados demonstra bem os efeitos apaziguadores da pintura para Octávio. Quando começou a freqüentar o atelier de Engenho de Dentro, ele aparecia maquiado e usava objetos femininos. Quando passou a realizar a série dos cavalos, Octávio deixou de se travestir.
Uma outra série bastante interessante é a dos pássaros, Octávio não suportava os bem-te-vis, dizia que eles o acusavam de homossexual, chegando a carregar uma atiradeira para matá-los. Com a pintura, Octávio pôde se munir de uma outra forma para deter esse Outro que o injuriava, o pincel passou a ter uma função de atiradeira e, assim, barrar esse “olhar sonoro” do outro que o visava como homossexual. A pintura alcança esse efeito nos sujeitos psicóticos, servindo de pasto para o olhar faminto do Outro que visa o sujeito; trazendo um apaziguamento do sofrimento subjetivo e uma reordenação de sua realidade psíquica.









sábado, 8 de novembro de 2008

BENTÓVIA



Desenhos de Octávio Ignácio

“Octávio não gostava de bem-te-vi. Esse pássaro, repetindo ‘bem te vi, bem te vi’, parecia estar denunciando, espionando seus mais secretos impulsos instintivos. Queria matar o bem-te-vi. Fazia atiradeiras para exterminar todos os bem-te-vis.
Um dia, o artista plástico José Paixão foi ao atelier de Engenho de Dentro e registrou o seguinte fato: ‘Octávio apontou o quadro negro. Escrevera a palavra Varsóvia e mais abaixo, Bentóvia. Depois mostrou na cadeira o pássaro bem-te-vi cercado por uma tira de câmara de pneu. Perguntei: “está morto?’ Octávio confirmou com a cabeça , e disse:
- Eu ia passando com desejo de caçar com atiradeira. Ouvi um guincho e o bem-te-vi caiu nos meus pés.
- Por que Varsóvia e Bentóvia?
- Varsóvia foi fundada por caçadores. Bentóvia é uma cidade de pássaros e viveiros.
Octávio então constrói o mito de Varsóvia e Bentóvia. Em Varsóvia existiam dois povos: os caçadores possuidores de espingardas, e outros, donos de pólvora. Eles se reuniam para invadir Bentóvia, mas foram impedidos pelos gruinchos do bem-te-vi. Então fizeram uma aposta: aquele que encher um litro com palavras terá o direito de matar o pássaro. Os dois encheram o seu litro e empataram. E assim foram salvos: Bentóvia da invasão e o bem-te-vi da morte’’
Nise da Silveira, O mundo das Imagens

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Les feuilles mortes

Estava eu aqui a procurar coisas sobre o UBU ROI, PÈRE UBU...peça de Alfred Jarry e me deparo com a PATAFISIQUE ou PATAFÍSICA, uma ciência para soluções imaginárias criada por Jarry. No grupo que compunha os PATAFÍSICOS encontrei Jacques Prevert, poeta francês, que eu já conhecia do Surrealismo...mas o que me deixou emocionado foi descobrir que a letra da canção Les Meuilles Mortes era de Prevert. Gravada por muitos, Les Feuilles Mortes se imortalizou na voz de Yves Montand, sem dúvida uma bela canção numa belísima voz!



Musica:Joseph Kosma
Letra: Jacques Prevert
Interpretado pela primeira vez por Yves Montand.

"C’est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m’aimais et je t’aimais
"

" É o mundo das palavras que cria o mundo das coisas" (JACQUES LACAN)

FOTOGRAFIAS: FRANCISCO DE ASSIS XAVIER NETO

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

NO MUNDO DA ARTE BRUTA


EPIFANIAR, juntamente com ANALYTICON ARTEBLOG, esse mês faz uma homenagem à arte bruta, à arte virgem...
O termo Art Brut foi inventado por Jean Dubuffet, em 1945, para designar a arte marginal, a arte dos internos dos hospitais psiquiátricos e de diversos sujeitos à beira da sociedade, estorvos do sistema. Para Dubuffet: “as obras executadas por pessoas alheias à cultura artística, para as quais o mimetismo contrariamente ao que ocorre com os intelectuais desempenha um papel menor, de modo que seus autores tiram tudo (temas, escolha de materiais, meios de transposição, ritmo, modos de escrita etc.) de suas próprias fontes e não dos decalques da arte clássica ou da arte da moda. Assistimos à operação pura, bruta, reinventada em todas as fases por seu autor, a partir exclusivamente de seus próprios impulsos".
No Brasil Mário Pedrosa, famoso crítico de arte, chamou de arte virgem às produções existentes no Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, espaço criado por Nise da Silveira para acolher as obras dos internos de Engenho de Dentro.
Nise da Silveira foi uma notável psiquiatra que ousou, na década de 40, ir contra um padrão estabelecido de tratamento dos doentes mentais, baseado no excesso de medicação, eletro-choques, choque insulínico e lobotomias. Radicalmente contrária a essas formas desumanas de tratamento, Nise preferiu apostar num tratamento digno, mais humano para os pacientes psiquiátricos. Deu-lhes tinta e papel e um espaço de livre criação para ali produzirem algo, não para o mercado ou que obedecesse a uma regra ou estilo, mas para que ali fosse possível surgir uma forma de tratar, de dar contorno àquele sofrimento. E assim criou , em 1952, o Museu de Imagens do Inconsciente, lugar de acolhida e de estudos para essas criações originais. O Museu conta hoje com um enorme acervo, mais de 300 mil obras; sem dúvida, o maior acervo de Arte Virgem da América Latina!
É homenageando a Drª Nise da Silveira que começaremos uma série de postagens sobre esses artistas tão originais! Bem vindos ao mundo das imagens do inconsciente.

ANTES DA CRIAÇÃO

FOTOGRAFIA: FRANCISCO DE ASIS XAVIER NETO

domingo, 2 de novembro de 2008

Rio, Pai


Inicio as minhas indicações de filmes com esse, que pra mim, foi surpreendente.

Um filme inesquecível

Direção: Majid Majidi
Elenco: Mohsen ramezani , Hossein Mahjub , Salime Felzi 90 min.
Irã- 1990.