sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

BISPO DO ROSÁRIO



Estava eu navegando pela virtual.idade quando encontrei a música do “lunático perfeito” Antônio Nóbrega, a música se chama Galope beira mar para Bispo do Rosário, do álbum O Marco do meio dia, de 2001. Na música de Antônio Nóbrega é possível entender um pouco do que foi a obra desse nosso “lunático perpétuo” do nosso louco que virou artista.

Não vou aqui ‘’analisar” essa linda canção, apenas vou destacar alguns pontos interessantes para comentar um pouco acerca do que pode vim a ser o papel da arte e da criação para um sujeito psicótico.

Começo trazendo essa estrofe da canção:

“Então, meia-noite, anjos emissários
Em conta de sete, de aura azulada,
Falaram pra ele, punhando as espadas:
És tu o escolhido, bispo do rosário.
Terás de fazer o teu inventário
E reconstruir o universo sem par
Pra diante de Deus tu te apresentar”

Em 1938 depois de ver o céu se abrir e ver sete anjos anunciarem que ele era o Cristo, Arthut Bispo do Rosário pasou a vagar pelas ruas do Rio dizendo ser o salvador, internado no hospício da praia vermelha foi transferido para a Colônia Juliano Moreia onde passou a maior parte de sua vida. Lá, em 1946 recebeu sua missão de reconstruir o mundo para apresentar a Deus. Foi depois de ouvir uma voz que dizia: “Está na hora de você reconstruir o mundo” que Bispo passou o resto da vida nesse empreendimento. Bispo era aquele que teria que representar tudo o que existe no mundo para Deus.
Delírio aliado a criação, seu material era tudo o que tinha à mão, lixo, sucata, lençóis e uniformes da colônia, “cacos de vidro e cacos de telha” enfim tudo o que existise era acoplado à obra, transformado.
Até sua morte Bispo criou uma magnífica obra, panôs, uniformes, estandartes, assemblages ou vitrines, objetos mumificados tudo feito a partir de sucata, restos do hospital... como se observa em mais um trecho da canção:

“Juntando pedaços de panos, caixotes,
Com pregos, botões, colheres, canecos,
Flanelas, lençóis, agulhas, chinelos,
Brinquedos, moedas, um velho holofote”

Descoberto naquela solidão do hospício por uma reportagem da TV Globo sobre a situação dos manicômios brasileiros, Bispo passou a ser conhecido e logo críticos de arte, artistas, jornalistas viram (miram) alí uma grande produção artística, seria Bispo um artista louco ou um louco artista? Mas para Bispo toda aquela obra só tinha um destino, ser mostrada a Deus no dia da passagem, para ele aquilo tudo não era arte, não era para expor em museus, a mostração seria única e exclusiva para Deus. Dizia que não fazia aquilo tudo para os homens e sim pra Deus. Criada sobre um imperativo, terás de reconstruir o mundo, essa experiência não era nada prazerosa, era uma obrigação, uma obediência às vozes que ele escutava e que tinha de obedecer pois se não obedecesse elas o faziam de bola, dizia; puro objeto na mão do Outro.
Encarregado dessa missão, de ter de reconstruir o mundo, Bispo arranja aí um lugar subjetivo, ele é aquele que no dia da passagem vai apresentar tudo o que há no mundo, ele é o filho do Homem, o Cristo Jesus, o que cria. Aliado aos seu delírio sua criação teve esse efeito de recriação de tudo o que fora perdido no momento do surto, toda realidade, vivenciada como verdadeira morte subjetiva, podendo assim cavar, riscar um lugar seu no mundo, bordar o que se acha disperso: “EU PRECISO DESTAS PALAVRAS. ESCRITA” borda ele num dos seus panôs.
Bispo fez sua passagem em 1989.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O CASO AIMÉE


Lacan no hospital Saint-Anne


LE GESTE D'UNE FOLLEM me Huguette ex-Duflos, la grande actrice classée première à notre Concours des Vedettes, a été blessée par une démente

Le Petit Journal Illustrén°21063 mai 1931

Huguette Duflos

Recusando a tradição familiar de entrar para o comércio vinagreiro, o jovem Jacques Lacan escolhe a Psiquiatria e é no Hospital Sainte-Anne que ele se apaixona pelo tema da paranóia, pensando ela como um sistema lógico inscrito no cerne da personalidade humana.

Tema de sua tese de doutorado, Da Psicose Paranóica em suas Relações com a Personalidade, Lacan recusa o organicismo vigente na compreensão da loucura e recebe influências do surrealismo, até mais do que da própria psiquiatria da época e é justamente no meio surrealista que a tese de Lacan vai ser mais aclamada!!
Em 1932 Lacan publica sua tese, nela encontra-se o estudo de um caso de paranóia feminina, é o famoso Caso Aimée.

“Aimée é o nome atribuído por Lacan à paciente cujo caso estudou em sua tese de doutorado em psiquiatria, tomando-o emprestado da personagem de um romance de autoria da paciente.
O nome que escolheu para ela corresponde à gramática do postulado do amor na psicose, tal qual Freud a formulou.
É como Aimée, e não como amante, que o sujeito psicótico se situa em relação ao amor.” Beatriz Lavieri

O caso Aimée é a história de uma funcionária dos correios, Margueritte Anzieu, que é presa e logo internada no hospital Saint-Anne após atacar uma importante atriz da época, Huguette Duflos, em 1931. Margueritte fracassa no ataque, ferindo apenas a mão da atriz.
Aos cuidados do jovem psiquiatra, Marguerite vai contar sua história em sucessivas entrevistas e confiando a Lacan suas cartas e escritos. No estudo do caso Lacan cria um novo conceito diagnóstico, o de “paranóia de autopunição”, a partir do fato de sua paciente ter se curado após cometer o ato de agressão contra a atriz. Na “paranóia de autopunição” Lacan mostra que ao atacar a atriz, na verdade, Aimée estava atacando a si mesma , ao seu Ideal de Eu. A tese de Lacan marca uma passagem da Psiquiatria à Psicanálise, pois nela vemos que Lacan vai buscar a explicação para explicar o caso, não na Psiquiatria e sim nos conceitos Freudianos.

“Minha paciente, chamei-a Aimée, era realmente muito tocante”
Lacan, 1970

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

PROJETO AIMÉE



Projeto Aimée: Uma articulação entre Psicanálise e Psiquiatria
O projeto Aimée é um projeto de extensão da UFPB/PRAC/COPAC, coordenado por Regileide de Lucena Fernandes e Maria Beatriz Ferreira Lavieri.
O Projeto é formado por alunos extensionistas de Psicologia e Medicina também participam do projeto profissionais voluntários.
O Projeto Aimée em parceria com o Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, tem como proposta oferecer atendimento ambulatorial fundamentado na clínica psicanalítica como uma alternativa ao tratamento estritamente medicalizante dos quadros psicóticos.
As atividades do projeto são desenvolvidas no Ambulatório do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira e no NDIHR (Núcleo de documentação Histórica e Regional), na UFPB.
Atividades:
Atendimentos individuais: Os atendimentos Individuais tem duração, em média, de trinta minutos, o alvo são pacientes psicóticos e neuróticos graves que freqüentam o ambulatório.
Oficinas de Psicanálise: As Oficinas de Psicanálise ocorrem, também no ambulatório, com uma freqüência de quatro vezes na semana, com uma hora de duração. São coordenadas por dois técnicos e com participação em média de sete pacientes por sessão. A sessão se dá em torno de uma mesa onde se disponibiliza material plástico: tinta, papel, cola, lápis, revista etc. Toda produção é livre, sem nenhuma atividade dirigida, preocupação estética ou caráter pedagógico.
Supervisão: “...nesse espaço que insuficientemente chamamos de supervisão, por não
dispormos de um significante melhor, os técnicos dispõe sua fala sobre a experiência com cada paciente, possibilitando a construção de um saber em equipe, isso se torna possível por não existir um Outro que ‘super – visiona’ e detêm toda a clínica e todo o saber.” (Regileide Fernandes)
GEPSI: O trabalho clínico desenvolvido é suportado pelo GEPSI (Grupo de Estudos Psicanalíticos da Psicose) –onde se busca avançar questões sobre a articulação da clínica com a teoria psicanalítica. Os estudos no GEPSI, são divididos em dois horários: o primeiro horário, das 8:00 hs é dedicado a clínica das psicoses, o segundo horário, das 10: 00 hs ao meio dia é dedicado a clínica das neuroses. Sempre com textos e discussões atuais sobre a psicose e a clínica psicanalítica.
Em mais de dez anos de prática o Projeto Aimée tem obtido resultados bastantes significativos no tratamento da loucura.
Na articulação com a Psiquiatria foi e é possível manejar as questões da medicação e da internação, obtendo-se uma redução do uso dos medicamentos assim como também uma redução no número de internações dos pacientes atendidos pelo Projeto.
O projeto também vem produzindo efeitos institucionais, o corpo técnico do ambulatório e do hospital tem mudado e refletido acerca do tratamento da loucura.
Ampliando ainda mais o diálogo com outros saberes, o Projeto dialoga com a Homeopatia, trazendo novas formas de in(ter)venção e obtendo efeitos bastante positivos.
O projeto também produz trabalhos científicos, apresentados na academia e em diversos congressos pelo país.

FREUD POR ARNULF RAINER


Veja também em: http://analyticon.arteblog.com.br/112664/FREUD-POR-ARNULF-RAINER/

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

CATOPOÉTICA

"Quem segura o porta estandarte tem a arte, tem a arte..."




Entre cores e fitas e cores de fitas, desfilam pelas ruas, que se transformam em passarela, as realezas do folclore norte mineiro.

Os Catopês
Os Marujos
Os Caboclinhos

As festas de agosto são, sem dúvida, um dos eventos culturais mais lindos que eu já vi. A cidade se transforma, cores, sons, comidas, cheiros...O sino da igrejinha bate e é hora de ver os catopés desfilarem. A marujada vem com suas espadas polidas e seu canto que é de além mar. Os Caboclos trazem na mão seu arco e flecha.

Sem dúvida uma poesia de som, cores, movimentos, uma cotopoética.
Uma mistura de sagrado e profano, como as tradicionais festas desses interiores do Brasil, mas aqui em Montes Claros o profano se transforma em sagrado!

Nossa Senhora do Rosário
São Benedito
O Divino Espírito Santo

Dão as bênçãos aos sagrados


Catopês
Marujos
Caboclinhos










domingo, 7 de dezembro de 2008

BEIRUT (PARA RILMA)

Vendo as chamadas para a nova minisérie da globo, Capitu, me deparei com uma música lindíssima e que logo me pus a pensar de quem era, pois não me era estranha...aí me lembrei de uma pessoa muito especial, por quem tenho um carinho muito grande e que tinha colocado pra mim no orkut o clip dessa banda, lembro que ela tinha colocado na mensagem o quanto era dançante e colorido o clip.
A música é Elephant Gun
A banda é Beirut
E a pessoa muito especial é Rilma!!! A música vocês devem ter ouvido, a banda ta aí agora...o clip vou postar aqui.
Agora o prazer, o carinho, a amizade de Rilma, essa eu guardo aqui no coração e posto aqui algo assim, tímido, mas com muito afeto, a lembrança tão gostosa e bonita de uma amizade e de uma pessoa muito linda! Te adoro Rilma!!!

Beirut - Elephant Gun






The Gulag Orkestar (2006)



The Flying Club Cup (2007)



Lon Gisland EP (2007)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

BABIES





A fotógrafa australiana Polly Borland é reconhecida mundialmente por fotografar pessoas muito famosas, inclusive a rainha da Inglaterra. Mas também como Diane Arbus, Polly também mira seu olhar para os marginais, em 2001 lançou seu livro The Babies onde se vê pessoas adeptas do infantilismo, pessoas que se vestem de bebê.

Uma regressão aos estágios infantis onde a sexualidade já está presente como diz a psicanálise.

MEU POEMA

Personagem Atirando uma Pedra num Pássaro

Miró



Era uma doida de pedra

Mas era ela a doida ou a doida era a pedra?
Falou a doida:
Foi a pedra que me disse me atira!

Perguntei a doida de onde ela era

Ela disse:
Nascidade de pedra pedropolis.



Francisco de Assis Xavier Neto

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

LETRA


PASSARINHO



Achava que os passarinhos
são pessoas mais importantes
do que aviões.
Porque os passarinhos
vêm dos inícios do mundo.
E os aviões são acessórios.


Manoel de Barros - Cantigas por um passarinho à toa.
FOTOGRAFIA: FRANCISCO DE ASSIS XAVIER NETO

sábado, 29 de novembro de 2008

MOACIR ARTE BRUTA
















Vai aqui a dica de um documentário muito bom do Walter Carvalho, Moacir Arte Bruta.
Moacir é um sujeito que deu um tratamento a sua loucura pela via da arte. O destaque que dou a esse documentário é a forma como ele mostra essa loucura do Moacir, sem psiquiatrizá-la, psicologizá-la.
Para quem se interessa por essa arte bruta, arte do inconsciente, esse documentário é muito interessante!!

Título Original: Moacir Arte Bruta
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 72 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2006
Estúdio: República Pureza / Kinofilm / Leblon 3
Distribuição: Riofilme
Direção: Walter Carvalho
Roteiro: Walter Carvalho
Produção: Marcello Maia, Eliane Soárez e Maria Clara Ferreira
Música: Léo Gandelman
Fotografia: Lula CarvalhoEdição: Pablo Ribeiro

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

oS Irmãos maRx



Os Irmãos Marx foi um dos grupos cômicos mais relevantes do século XX.
Eram eles: Chico, Zeppo, Groucho, Harpo e Gummo.

Nascidos de uma família judia de nova York, os Irmãos Marx introduziram o humor malicioso nos números cômicos. A família vivia dos shows valdeville, num tempo em que o cinema ainda não havia. Depois veio a Broadway e o sucesso e por fim o cinema. Em Hollywood lançaram filmes verdadeiramente hilariantes! Com a saída de Zeppo, que antes havia substituído Gummo que fora pra guerra, o trio se consagrou e hoje os Irmãos Marx são modelo para quem deseja seguir a carreira artística da comédia. Zeppo preferiu ficar na produção dos filmes.

Dentre os filmes dos Irmãos Marx destacam-se:

No Hotel da Fuzarca
Os Quatro Batutas
Os Galhofeiros
Diabo a Quatro
Esses são da época da Paramount Pictures, considerados mais livres e anárquicos.

Na MGM, Metro Goldwyn Mayer, os filmes ficaram mais comportados, obedecendo a roteiros e mais leves.
São dessa época:

Uma noite na Ópera
Um Noite em Casablanca
A Grande Loja

Seu humor malicioso e escrachado despertou grande interesse do público, consta na lista de fãs célebres dos irmãos Marx nada menos que: Salvador Dali, Woddy Allen, Carmem Miranda e, segundo Cesarotto, “nem Lacan ficava sério” e via neles até um paralelismo didático para suas três letrinhas R S I.
Harpo seria o real, mudo, sem limites, totalmente fora da ordem.
Chico seria o imaginário, o eu, calculista.
Groucho seria o simbólico, bom nas palavras e nos trocadilhos.

O filósofo e também psicanalista Slavoj Zizek, em seu documentário O Guia Pervertido do Cinema, muito bom por sinal, também propõe um paralelismo entre esses tão hilários personagens e o inconsciente.
Para Zizek, Groucho, o mais popular, representaria o Superego com sua “nervosa hiperatividade”. Chico, o racional seria o Ego, o egoísta e Harpo, o mais misterioso, segundo Zizek, representaria o Id com suas ambigüidades, infantil, inocente mas também “possuído por uma espécie de mal primordial”, Harpo é agressivo, mistura de “corrupção absoluta e inocência”, o que segundo Zizek expressa bem o funcionamento do Id.
Eu to indo agora ver Uma Noite em Casablanca vamos???

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PRIMAVERA

FOTOGRAFIA: FRANCISCO DE ASSIS XAVIER NETO 17.11.2008

domingo, 16 de novembro de 2008

LADEIRA DA PREGUIÇA





Elis Regina
Composição:Gilberto Gil

Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a ladeira da preguiça
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a ladeira da preguiça
Preguiça que eu tive sempre
De escrever para a família
E de mandar conta pra casa
Que esse mundo é uma maravilha
E pra saber se a menina
Já conta as estrelas e sabe a segunda cartilha
E pra saber se o menino
Já canta cantigas e já não bota mais a mão na baguilha
E pra falar do mundo falo uma besteira
Fomenteira é uma ilha
Onde se chega de barco, mãe
Que nem lá, na ilha do medo
Que nem lá, na ilha do frade
Que nem lá, na ilha de maré
Que nem lá, salina das margaridas
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a ladeira da preguiça
Ela é de hoje

Ela é desde quando
Se amarrava cachorro com linguiça



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

PATER





PATER NOSTER


Jacques Prévert

Notre Père qui êtes aux cieux
Restez-y
Et nous nous resterons sur la terre
Qui est quelquefois si jolie
Avec ses mystères de New York
Et puis ses mystères de Paris
Qui valent bien celui de la Trinité
Avec son petit canal de l'Ourcq
Sa grande muraille de Chine
Sa rivière de Morlaix
Ses bêtises de Cambrai
Avec son océan Pacifique
Et ses deux bassins aux Tuileries
Avec ses bons enfants et ses mauvais sujets
Avec toutes les merveilles du monde
Qui sont làSimplement sur la terre
Offertes à tout le monde
Éparpillées
Émerveillées elles-mêmes d'être de telles merveilles
Et qui n'osent se l'avouer
Comme une jolie fille nue qui n'ose se montrer
Avec les épouvantables malheurs du monde
Qui sont légion
Avec leurs légionnaires
Avec leurs tortionnaires
Avec les maîtres de ce monde
Les maîtres avec leurs prêtres leurs traîtres et leurs reîtres
Avec les saisons
Avec les années
Avec les jolies filles et avec les vieux cons
Avec la paille de la misère pourrissant dans l'acier des canons.


LOUIS WAIN











Louis Wain (1860-1939) foi um artista inglês que ficou conhecido por suas pinturas e ilustrações de gatos em situações humanas, . desde jovem, costumava pintar retratos de gatos para calendários, albuns, cartões-postais. Em 1886 seus desenhos começaram a ser publicados no Illustrated London News tornando-o bastante popular. No fim da vida Wain foi internado num sanatório com diagnóstico de esquizofrenia, passou a obter ajuda do governo pra poder sobreviver. Wain nunca deixou de desenhar.
É muito interessante os desenhos dele nesse “período” de loucura, os gatos, que antes eram desenhados nas mais diversas situações humanas, jogando golf, passeando, tomando banho, pasaram a ter uma forma ameaçadora, verdadeiras alucinações, olhos assustadores, pêlos eriçados, cores muito fortes e variadas, o que antes parecia humor, agora parecia mais algo alucinatório, assustador.
Louis Wain morreu em 1939.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

UNE PARTIE DE CAMPAGNE

“Ela teve uma revolta furiosa e, para evitá-lo, arrojou-se de costas; mas ele lançou-se sobre seu corpo, cobrindo-a completamente. Por muito tempo ele perseguiu aquela boca que o evitava, até encontrá-la e juntá-la à sua. Então, tomada de um enorme desejo, ela lhe entregou seu beijo, estreitando-se junto ao peito, e toda a sua resistência cedeu como que esmagada por um peso excessivo”

Guy de Maupasant.

Essa cena belíssima foi realizada no cinema por Sylvia Bataille em 1936 no filme Une Partie de Campagne de Jean Renoir baseado na novela de Maupassant.

Sylvia se tornaria mais tarde esposa de Jacques Lacan.
video

domingo, 9 de novembro de 2008

POUR TOI MON AMOUR (MEU BEM)

PARA TI MEU AMOR
Fui ao mercado dos passarinhos
E comprei passarinhos
Para ti
Meu amor
Fui ao mercado das flores
E comprei flores
Para ti
meu amor
Fui ao mercado das ferragens
E comprei correntes
Para ti
meu amor
E depois fui ao mercado dos escravos
E procurei-te
Mas não te encontrei
meu amor


Jacques Prevert

TORI AMOS

OCTÁVIO IGNÁCIO

Octávio Ignácio nasceu em 1916 em Minas Gerais. Sua primeira internação ocorreu em 1950. Seguiram-se onze reinternações. Passou, então, a freqüentar o ateliê de pintura do Museu de Imagens do Inconsciente em regime de externato, a partir de 1966. Depois que começou com atividades de desenho e pintura houve uma única internação. Morreu em 1980.

A questão sexual sempre se mostrou problemática para Octávio, vivenciada de forma muito penosa por ele. Em vários desenhos é possível notar figuras onde traços masculinos e femininos se misturam.
A série dos cavalos alados demonstra bem os efeitos apaziguadores da pintura para Octávio. Quando começou a freqüentar o atelier de Engenho de Dentro, ele aparecia maquiado e usava objetos femininos. Quando passou a realizar a série dos cavalos, Octávio deixou de se travestir.
Uma outra série bastante interessante é a dos pássaros, Octávio não suportava os bem-te-vis, dizia que eles o acusavam de homossexual, chegando a carregar uma atiradeira para matá-los. Com a pintura, Octávio pôde se munir de uma outra forma para deter esse Outro que o injuriava, o pincel passou a ter uma função de atiradeira e, assim, barrar esse “olhar sonoro” do outro que o visava como homossexual. A pintura alcança esse efeito nos sujeitos psicóticos, servindo de pasto para o olhar faminto do Outro que visa o sujeito; trazendo um apaziguamento do sofrimento subjetivo e uma reordenação de sua realidade psíquica.









sábado, 8 de novembro de 2008

BENTÓVIA



Desenhos de Octávio Ignácio

“Octávio não gostava de bem-te-vi. Esse pássaro, repetindo ‘bem te vi, bem te vi’, parecia estar denunciando, espionando seus mais secretos impulsos instintivos. Queria matar o bem-te-vi. Fazia atiradeiras para exterminar todos os bem-te-vis.
Um dia, o artista plástico José Paixão foi ao atelier de Engenho de Dentro e registrou o seguinte fato: ‘Octávio apontou o quadro negro. Escrevera a palavra Varsóvia e mais abaixo, Bentóvia. Depois mostrou na cadeira o pássaro bem-te-vi cercado por uma tira de câmara de pneu. Perguntei: “está morto?’ Octávio confirmou com a cabeça , e disse:
- Eu ia passando com desejo de caçar com atiradeira. Ouvi um guincho e o bem-te-vi caiu nos meus pés.
- Por que Varsóvia e Bentóvia?
- Varsóvia foi fundada por caçadores. Bentóvia é uma cidade de pássaros e viveiros.
Octávio então constrói o mito de Varsóvia e Bentóvia. Em Varsóvia existiam dois povos: os caçadores possuidores de espingardas, e outros, donos de pólvora. Eles se reuniam para invadir Bentóvia, mas foram impedidos pelos gruinchos do bem-te-vi. Então fizeram uma aposta: aquele que encher um litro com palavras terá o direito de matar o pássaro. Os dois encheram o seu litro e empataram. E assim foram salvos: Bentóvia da invasão e o bem-te-vi da morte’’
Nise da Silveira, O mundo das Imagens

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Les feuilles mortes

Estava eu aqui a procurar coisas sobre o UBU ROI, PÈRE UBU...peça de Alfred Jarry e me deparo com a PATAFISIQUE ou PATAFÍSICA, uma ciência para soluções imaginárias criada por Jarry. No grupo que compunha os PATAFÍSICOS encontrei Jacques Prevert, poeta francês, que eu já conhecia do Surrealismo...mas o que me deixou emocionado foi descobrir que a letra da canção Les Meuilles Mortes era de Prevert. Gravada por muitos, Les Feuilles Mortes se imortalizou na voz de Yves Montand, sem dúvida uma bela canção numa belísima voz!



Musica:Joseph Kosma
Letra: Jacques Prevert
Interpretado pela primeira vez por Yves Montand.

"C’est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m’aimais et je t’aimais
"

" É o mundo das palavras que cria o mundo das coisas" (JACQUES LACAN)

FOTOGRAFIAS: FRANCISCO DE ASSIS XAVIER NETO

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

NO MUNDO DA ARTE BRUTA


EPIFANIAR, juntamente com ANALYTICON ARTEBLOG, esse mês faz uma homenagem à arte bruta, à arte virgem...
O termo Art Brut foi inventado por Jean Dubuffet, em 1945, para designar a arte marginal, a arte dos internos dos hospitais psiquiátricos e de diversos sujeitos à beira da sociedade, estorvos do sistema. Para Dubuffet: “as obras executadas por pessoas alheias à cultura artística, para as quais o mimetismo contrariamente ao que ocorre com os intelectuais desempenha um papel menor, de modo que seus autores tiram tudo (temas, escolha de materiais, meios de transposição, ritmo, modos de escrita etc.) de suas próprias fontes e não dos decalques da arte clássica ou da arte da moda. Assistimos à operação pura, bruta, reinventada em todas as fases por seu autor, a partir exclusivamente de seus próprios impulsos".
No Brasil Mário Pedrosa, famoso crítico de arte, chamou de arte virgem às produções existentes no Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, espaço criado por Nise da Silveira para acolher as obras dos internos de Engenho de Dentro.
Nise da Silveira foi uma notável psiquiatra que ousou, na década de 40, ir contra um padrão estabelecido de tratamento dos doentes mentais, baseado no excesso de medicação, eletro-choques, choque insulínico e lobotomias. Radicalmente contrária a essas formas desumanas de tratamento, Nise preferiu apostar num tratamento digno, mais humano para os pacientes psiquiátricos. Deu-lhes tinta e papel e um espaço de livre criação para ali produzirem algo, não para o mercado ou que obedecesse a uma regra ou estilo, mas para que ali fosse possível surgir uma forma de tratar, de dar contorno àquele sofrimento. E assim criou , em 1952, o Museu de Imagens do Inconsciente, lugar de acolhida e de estudos para essas criações originais. O Museu conta hoje com um enorme acervo, mais de 300 mil obras; sem dúvida, o maior acervo de Arte Virgem da América Latina!
É homenageando a Drª Nise da Silveira que começaremos uma série de postagens sobre esses artistas tão originais! Bem vindos ao mundo das imagens do inconsciente.

ANTES DA CRIAÇÃO

FOTOGRAFIA: FRANCISCO DE ASIS XAVIER NETO

domingo, 2 de novembro de 2008

Rio, Pai


Inicio as minhas indicações de filmes com esse, que pra mim, foi surpreendente.

Um filme inesquecível

Direção: Majid Majidi
Elenco: Mohsen ramezani , Hossein Mahjub , Salime Felzi 90 min.
Irã- 1990.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

SOPA DE CONCHAS

FOTO: FRANCISCO XAVIER

Para Raquel Ferreira (Gatinha)


Poeminha em Língua de brincar

Manoel de Barros

Ele tinha no rosto um sonho de ave extraviada.
Falava em língua de ave e de criança.

Sentia mais prazer de brincar com as palavras
do que de pensar com elas.
Dispensava pensar.

Quando ia em progresso para árvore queria florear.
Gostava mais de fazer floreios com as palavras do que de fazer idéias com elas.

Aprendera no Circo, há idos, que a palavra tem
que chegar ao grau de brinquedo
para ser séria de rir.

Contou para a turma da roda que certa rã saltara
sobre uma frase dele
E que a frase sem arriou.

Decerto não arriou porque não tinha nenhuma
palavra podre nela.

Nisso que o menino contava a estória da rã na frase
Entrou uma Dona de nome Lógica da Razão.
A Dona usava bengala e salto alto.

De ouvir o conto da rã na frase a Dona falou:
Isso é língua de brincar e é idiotice de
criança
Pois frases são letras sonhadas, não têm peso,
nem consistência de corda para agüentar uma rã
em cima dela

Isso é Língua de raiz – continuou
É Língua de faz de conta
É Língua de brincar!

Mas o garoto que tinha no rosto um sonho de ave
Extraviada
Também tinha por sestro jogar pedrinhas no bom
senso.

E jogava pedrinhas:
Disse que ainda hoje vira a nossa tarde sentada
sobre uma lata ao modo que um bentevi sentado
na telha.

Logo entrou a dona Lógica da Razão e bosteou:
Mas lata não agüenta uma tarde em cima dela, e
ademais a lata não tem espaço para caber uma
Tarde nela!
Isso é Língua de brincar
É coisa-nada

O menino sentenciou:
Se o Nada desaparecer a poesia acaba.

E se internou na própria casca ao jeito que o
jabuti se interna.


ANALYTICON



Meu blog para, também, assuntos psicanalíticos: www.analyticon.arteblog.com.br